AVALIAR

Avaliação – Teoria e Prática

Avaliar é, estruturalmente, um processo que tem início no estabelecimento de um objetivo para o ato de avaliar, a partir de então é delimitado o objeto a ser analisado por meio da coleta de dados que serão, enfim qualificados em troca de novas ações e decisões para a delimitação de novos objetivos.

Uma avaliação externa é, por essência, realizada por uma equipe de especialistas e professores coordenados por consultores, mestres e doutores, de fora da escola que garantem a qualidade técnica de cada instrumento de avaliação; uma aplicação em larga escala, por sua vez, pressupõe que os instrumentos sejam aplicados à uma grande quantidade de respondentes. Vale ponderar que um instrumento de avaliação é a ferramenta que media a avaliação em si, que proporciona a coleta de dados pertinentes e observáveis.

Conscientemente ou inconscientemente avaliamos tudo à nossa volta: nosso estado psicológico (sono, fome, humor) e nosso meio ambiente e social (clima, espaço, paisagem). Assim sendo, avaliar é também um ato cotidiano e permanente.

Ainda sobre a estrutura desse processo é possível também destacar que mesmo a mais informal ou cotidiana das formas de avaliação só tem sentido quando temos objetivos claros. A definição dos objetivos de uma avaliação tem impacto sobre toda sua estrutura, especialmente na análise dos dados coletados.

Se pensarmos assim processos avaliativos, formais e informais, ocorrem no cotidiano escolar em profusão na relação pais, estudantes, a escola e gestão – desde a avaliação diagnóstica, que acontece na sala de aula no início de um ano letivo, até as avaliações oficiais em larga escala sofrem influência da intenção que damos aos dados coletados.

Avaliações educacionais externas em larga escala, em geral, são estruturadas de acordo com o objetivo definido para os dados coletados sobre o desempenho dos estudantes, de outra forma, são elaboradas de acordo com o tipo de análise que será realizado, que pode ser normativa ou criterial.

Uma observação dos resultados, ou melhor, uma avaliação normativa é essencialmente voltada à seleção dos estudantes, focada na classificação do desempenho e interessada no que os estudantes provam ter aprendido. Demonstra-se nos vestibulares e exames de qualificação que influenciam a organização do ensino. É pontual que visa resumir a realidade à dados observáveis sem que, necessariamente, sejam buscadas mudanças.

Já uma avaliação criterial, objetiva a formação dos estudantes, é focada no diagnóstico do desempenho e, apesar apresentar o desempenho do estudante em um dado momento, está interessada especialmente no que os estudantes podem ainda aprender.

Insere-se numa perspectiva processual que visa trazer luz à complexidade da realidade e à dados também observáveis, mas especialmente, para os quais busca-se mudanças positivas.

Esta modalidade de avaliação abriga grande potencial de comunicar os resultados aos gestores de escolas, redes e sistemas de ensino informações de uma visão ampla do processo educacional e das práticas institucionais, tendo como intuito realizar um diagnóstico, um retrato da aprendizagem. Uma avaliação externa jamais substitui ou invalida qualquer forma de avaliação interna, realizada dentro da sala de aula e no cotidiano de atividades dos estudantes. É parte de um processo de reflexão coletivo.