Avaliação, tecnologia e ensino hibrido

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Desenvolvimentos tecnológicos contemporâneos, voltados à consolidação e compartilhamento de informações, são muito facilmente reconhecíveis cotidianamente, mas apesar do ato de avaliar ser tão presente quanto a tecnologia que nos serve, tendemos a percebê-la com mais dificuldade.

Conscientemente ou inconscientemente, avaliamos tudo a nossa volta sem, entretanto, nos darmos conta de que esse frequente ato de avaliar nos permite planejar e desenvolver melhorias técnicas que alteram a nossa realidade. Se considerarmos quão frequentemente avaliamos nosso estado psicológico (sono, fome, humor) e nosso meio ambiente e social (clima, lugar, a estrutura dessa fala) percebemos que o ato de avaliar é sim, tão presente quanto a nossa interação com a tecnologia que desenvolvemos.

Definimos avaliação por uma ação que essencialmente demanda a coleta, a observação e a comparação de dados sobre um determinado objeto com a finalidade de qualifica-lo. Nesse mesmo sentido, podemos considerar que o desenvolvimento tecnológico que temos hoje depende diretamente da frequência com que avaliamos nossas necessidades. Consequentemente, ao passo que novas tecnologias entram em nosso cotidiano, elas passam a se alinhar com nossos esforços avaliativos. Um exemplo dessa forte articulação ocorre quando recebemos dados transmitidos por satélites GPS sobre a situação do transito da nossa cidade – com esses dados comparamos e escolhemos o caminho mais rápido para o trabalho. A tecnologia interfere na forma como coletamos e analisamos dados e nos oferece mais possibilidades de decisão.

No contexto escolar, percebemos que uma profusão de dispositivos tecnológicos passou a ter o potencial de interferir no processo de ensino e aprendizagem a tal ponto que se tornou uma das mais recentes tendências pedagógicas: o ensino híbrido, do inglês blended learning. Datado ainda do início da década de 2010, associa os termos blend (misturar) e learn (aprendizado). No ensino híbrido acontece uma mescla do aprendizado online e off-line, do analógico e do digital e é, portanto, indissociável da tecnologia.

A escola no mundo contemporâneo, responsável por promover uma considerável expansão do ensino básico, nunca foi a única detentora da informação à serviço do conhecimento – espaços como bibliotecas, museus, arquivos públicos também são detentores do poder de salvaguarda de produções e dados que servem à produção de conhecimento. Apesar disso, é a escola que carrega a função de democratizar o saber produzido pela humanidade.

O fenômeno recente da ampliação do acesso à informação por meio de recursos digitais, multimídias, sobretudo por meio do advento da internet 2.0, consideravelmente atrativos às novas gerações de alunos, demandou uma ressignificação do papel social dessa instituição transformando-a, não apenas numa perspectiva estrutural, mas principalmente teórico-filosófica.

Se antes desse fenômeno, os educadores procuravam padronizar o planejamento de todas as atividades de forma tradicional, agora passam a compreender a necessidade de não rejeitarem os novos recursos disponíveis, mas sim, usá-los a favor da aprendizagem, tendo o aluno como principal agente desse processo. Quanto às avaliações, não há mais só um dia circulado na agenda para que o aluno “prove” o que aprendeu, papel e caneta deixam de ser as únicas interfaces para a avaliação da aprendizagem.

O ensino híbrido e, portanto, a tecnologia aliada a ele, promove a adaptabilidade e a autonomia dos sujeitos envolvidos com o processo de ensino; conceitos muito importantes para a avaliação da aprendizagem. A adaptabilidade não deve ser entendida sob uma perspectiva segregadora, mas sim, sob a lente da personalização do ensino, pelo seu potencial inclusivo. Consideramos uma avaliação inclusiva aquela que percebe que cada educando tem diferentes tempos de aprendizagem e que, ainda que se faça um esforço para que todos estejam inseridos no mesmo contexto, será justamente diante dessa dissonância de ritmos de aprendizagem que o desenvolvimento dos alunos será fomentado.

A personalização do ensino permite que os próprios alunos desenvolvam a capacidade de ponderarem sobre como melhor aprendem e sobre suas dificuldades construindo, assim, sua competência auto avaliativa, sua metacognição; ou seja, a capacidade metacognitiva de observar, comparar, julgar e decidir sobre a qualidade do próprio aprendizado. Em outras palavras, os alunos podem desenvolver o domínio do aprender a aprender, além da capacidade de reconhecer quando estão aprendendo. Um poder promotor de autonomia, formador de alunos capazes de se relacionarem consigo mesmos, com outros e com o meio que os cerca de forma saudável.

Da perspectiva do professor, está à disposição uma profusão de diferentes recursos para planejamento, obtenção e organização de dados para a análise do desempenho dos alunos. A avaliação que acompanha cada momento de formação dos alunos, chamada de avaliação formativa, quando mediada pela tecnologia, é permanentemente nutrida pelo acesso rápido, consolidado e manipulável de informações. Estratégias pedagógicas como sistemas de cooperação entre os alunos, registros individuais e as mais variadas formas de entrega e apresentação de atividades oferecem mais do que gráficos em plataformas intuitivas, oferecem ao professor a possibilidade de cumprir seu papel de qualificador dos dados e gerenciador do planejamento.

O professor não precisa mais optar por um só tipo de instrumento ou realizar registros individualizados de cada aluno de forma exaustiva, pois os próprios alunos permanentemente oferecem dados a serem analisados; seu papel de mediador e avaliador ganham profundidade, e sua capacidade de interpretação contextualizada ganha relevância ainda maior. No ensino hibrido o professor é um permanente avaliador, e a avaliação, voltada ao processo de formação dos alunos, é levada ao seu potencial máximo.

Dessa maneira, aos alunos oferece-se a possibilidade de integrar recursos com os quais já estão habituados à disposição para aprender. Disposição que favorece a apropriação do conhecimento, pertencimento tão necessário para o estabelecimento de um contínuo diálogo entre professor, aluno, espaço escolar e o mundo. O ensino híbrido, portanto, favorece a corresponsabilização, sobretudo entre alunos e professores, pela qualidade do ensino oferecido e da aprendizagem desenvolvida.

 

 

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